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Pedro Bartelle e Carlos Mestriner mostraram as ações de suas empresas para enfrentar o efeitos da pandemia

Pedro Bartelle e Carlos Mestriner  mostraram as ações de suas empresas  para enfrentar o efeitos da pandemia 30 JULHO

A Vulcabras é uma empresa dos anos 50, que está quase completando 70 anos de existência. No ano de 2007 a Vulcabrás adquire a Azaleia e aí se torna Vulcabras Azaleia. Com esta afirmação o CEO do Grupo, Pedro Bartelle, abriu sua participação no Happy Hour com Tecnologia. A partir de 2007, a empresa cresceu bastante no setor de esportivos, porque a Vulcabras sempre foi muito tradicional em representar marcas internacionais da área de esportivos. Com a aquisição da Azaleia, além das marcas femininas, muito conhecidas, o grupo passou a deter a Olympikus, que na época já era líder de marcado. Pedro Bartelle entende que a fusão foi muito interessante, porque a Olympikus cresceu muito, não apenas como uma marca de calçados esportivos, mas como uma marca de esportivos de performance. E hoje é líder absoluta no segmento no Brasil inteiro.

O CEO do Grupo Vulcabras Azaleia contou que quando assumiu a gestão, há cinco anos, foi feita uma reestruturação profunda da empresa, que a partir de um trabalho de definições, foi transformada também em uma gestora de marcas, sem perder seu viés industrial. Com a reestruturação e efetivação dos investimentos, mais a aquisição da Under Armour, Pedro Bartelle disse que a empresa entendia que estava pronta para seguir crescendo. Com a chegada da pandemia, como a maioria das empresas, “criamos um comitê de crise, rapidamente suspendemos atividade, fizemos acordo com entidades e fornecedores, para minimizar os impactos desta crise”. A empresa está ciente de que o poder aquisitivo no Brasil e no mundo inteiro vai diminuir, mas os produtos da marca estão bastante adaptados a um excelente custo-benefício, “e nosso modelo de negócio também, porque como temos uma fábrica bastante ágil, a gente consegue oferecer para nossos clientes os nossos calçados esportivos com reposição mensal, em uma vantagem sobre a maioria dos concorrentes, que por terem que importar seus produtos, precisam fazer a venda com bastante antecedência”. De acordo com Bartelle, Vulcabras Azaleia já está adaptada à nova situação, e desde maio começou o movimento de recuperação de resultados. Em maio foi reiniciada a produção, em junho foi reativada a segunda fábrica e a partir de julho a empresa está trabalhando a 100%. E a empresa já está recuperando o faturamento a níveis anteriores à pandemia.

A satisfação, segundo Pedro Bartelle, está no fato de que a empresa está vendo que “o mercado dá valor ao nosso modelo de negócio e às nossas marcas”. Ele afirmou ainda que a organização está satisfeita com a decisão de não ter desmobilizado nada de sua estrutura, e afirmou que “nós acreditamos muito na retomada da economia e espero que ainda este ano a gente consiga ver já uma retomada importante do Brasil como um todo. E acredito muito que no ano que vem a gente vai andar muito bem”.

Carlos Mestriner, diretor presidente da Klin Calçados Infantis, abriu sua fala contando um pouco da história da empresa que tem 37 anos e lembrando que a administração sempre teve como foco dedicar-se ao público infantil, com o propósito de cuidar das pessoas.  A chegada da pandemia é um desafio que preocupa, mas não assusta, segundo Mestriner, porque a experiência de 37 anos, e a passagem por muitas crises diferentes, levou o grupo a uma condição de maturidade que o faz ter a tranquilidade de que  saberão como encontrar caminhos para atravessar este momento. “E é isto que estamos fazendo desde o dia 20 de março, quando nos deparamos com a certeza de que estávamos diante de um cenário muito adverso”.  Klin Calçados criou um grupo que tem acompanhado dia a dia o desenrolar da crise, cuidando dos detalhes, “o que nos ajudou muito a atravessar, superar e chegar até aqui”. Carlos Mestriner conta que a pandemia pegou a Klin justamente em um momento de preparação para as próximas gerações. Eles haviam acabado de contratar um CEO para ajudar no processo estratégico de reestruturação. Com a chegada da pandemia, “nós aceleramos este processo e tivemos que nos adaptar a muitas coisas”. No início o grupo aderiu à MP da redução de jornada, e seguiu todos os protocolos de distanciamento e cuidados com os colaboradores que continuaram trabalhando. E mais recentemente a empresa proporcionou a todos os colaboradores das suas unidades produtivas um kit de prevenção com medicamentos e cuidado com carinho das pessoas, que são o ativo maior que a empresa tem. Com tudo isto, está passando “não de uma forma tranquila, mas de uma forma mais amena por toda esta adversidade”.

“A gente já enxerga esta nova economia, este novo normal, já está se traduzindo nossos resultados, com um mês de julho com resultados fantásticos e agosto se desenhando muito bem”, afirma Mestriner, que disse acreditar “em um último trimestre do ano muito forte já, de retomada mesmo do mercado”. Ele disse entender que há um consumo represado muito forte, e para quem está no infantil, o privilégio está no fato de que as crianças estão em casa, mas os pezinhos estão crescendo. E “a hora que esta molecada voltar para a escola e sair á rua para valer, vão precisar de sapatos”. Por isto, a Klin está acreditando tanto na retomada ainda este ano.

O presidente do IBTeC falou sobre a postura do instituto em relação ao momento, afirmando que “vamos manter os mesmos níveis de investimento do ano passado”. Segundo Paulo Griebeler, a ideia era aumentar, mas a pandemia fez com que a entidade decidisse pela manutenção nos mesmo padrões do ano passado, afirmando que “temos um planejamento estratégico para os próximos 30 anos, com o objetivo de triplicar nosso tamanho”. Sobre os protocolos para enfrentar a pandemia, Griebeler afirmou que todos os cuidados estão sendo tomados, com uma série de ações implementadas para funcionários e clientes que estão circulando na sede do Instituto. Uma das medidas foi o estabelecimento de turnos, para poder manter o distanciamento entre os funcionários, com manutenção de equipes em home office em sistema de rodízio. Também salientou a decisão da direção do IBTeC de não reduzir salários, e não demitir nenhum funcionário, para que a instituição esteja forte quando houver a retomada do mercado aos patamares anteriores à pandemia. “Acredito que o nosso maior ativo realmente são as pessoas, e se elas estiveram juntas nestes oito anos que estamos aqui na presidência da entidade, a gente tem certeza de que é o momento de atravessar esta pandemia, e lá na frente a gente vai ter oportunidades”.

Perguntados sobre a “briga” China x EUA como uma possibilidade de oportunidade para o calçado brasileiro, Pedro Bartelle afirmou que a economia asiática representa um perigo, sim, porque dentro deste quadro da pandemia, a Ásia foi o continente que não parou de produzir em nenhum momento, e o continente que em alguns momentos já vinha afetando fabricantes de todo o Planeta. No seu entendimento, o calçado brasileiro corre risco, sim, “e isto é muito preocupante, porque a gente tem uma vantagem de poder exportar algum tipo de calçado mais modal, mas a gente não tem a vantagem que existe na  Ásia, que são principalmente os custos de mão-de-obra, que aqui são bastante maiores”. O erro não está aqui; o erro está lá, porque o Brasil precisa empregar muita gente, e lá os custos são muito subsidiados”.

No caso do Grupo Vulcabras Azaleia, nos calçados esportivos, por ter um modelo de negócio capaz de atender rápido, tem a possibilidade de abastecer rapidamente os mercados da América do Sul, mas a concorrência do produtor asiático que entra com práticas que não são iguais às do Brasil, e isto representa um risco. Mas a Vulcabras Azaleia acredita no movimento que vem liderando de valorização do produto nacional, levantando uma bandeira de nacionalismo, de valorização dos nossos profissionais, das nossas empresas e dos nossos produtos. Disse achar que é um momento de o brasileiro criar um sentimento mais nacionalista, inclusive como forma de enfrentar esta situação complicada causada pelo Covid.

Carlos Mestriner lembrou que a Klin está em 50 países, com marca própria, o que coloca a empresa em uma situação de vantagem na indústria de calçados infantis, e hoje a empresa vê os Estados Unidos com mais oportunidades do que antes, em função do problema com China, podendo vir a ser uma grande oportunidade para o calçado infantil. Lembrou que exportação não é um trabalho que dá resultados do dia para a noite, e sim um processo de confiança, de tempo de relacionamento. E a Klin vem fazendo este trabalho ao longo dos últimos anos. Na sua opinião, a exportação deverá continuar firme para marcas que fizeram um trabalho no mercado externo. Lembrou que o câmbio é favorável, podendo ajudar a beneficiar o processo de busca do mercado externo para escoar a produção nacional.

Sobre a retomada do mercado interno, Mestriner elogiou a campanha da Vulcabras Azaleia, e reforçou que é o que as empresas brasileiras precisam fazer, para despertar o nacionalismo dos brasileiros no consumo. Mestriner disse entender que as entidades de todos os segmentos da cadeia calçadista precisam se juntar para fazer uma campanha nacional, e fazer um trabalho para renovar o anti-dumping no Brasil, para evitar a entrada de calçados baratos, vindos de países que não são competidores em condições de igualdade. Para Mestriner, agora é importante que as entidades se juntem para evitar a prática de dumping no mercado nacional. Mestriner mencionou ainda o trabalho do Sindicato das Indústrias de Calçados de Birigui - Sinbi - que criou um grupo de empresas para fazer uma campanha de valorização do calçado nacional, unindo especialmente as médias e pequenas empresas da região.

Sobre as mudanças que a pandemia está impondo à economia, Pedro Bartelle afirmou que a estimativa no Grupo Vulcabras Azaleia é de o Covid acelerou o processo de digitalização de tudo em pelo menos três anos. A empresa já lançou coleções de produtos através de plataformas digitais, e as reuniões não pararam, nem a relação com os clientes e fornecedores, que agora é digital. E já deu para perceber o ganho de tempo pelo fato de que não precisa haver deslocamentos, e a objetividade nas reuniões, que também resultou em ganho de tempo. Na Vulcabras Azaleia o uso de realidade virtual no desenvolvimento de produtos já era uma realidade, que deverá ser intensificada a partir de agora, acredita Bartelle.

No entendimento de Pedro Bartelle, o que vai mudar mesmo a partir de agora é o tipo de produto a ser consumido. No setor de calçados esportivos, principal negócio do Grupo, “a gente acredita que o consumidor vai ser mais cauteloso na escolha do seu produto, e olhar para calçado mais multifuncional”. Por isto, a empresa intensificou muito nas suas novas coleções, para trazer calçado que atende o consumidor em diversos momentos de sua vida.

Focados no que será o “novo normal”, em que as pessoas terão que se reinventar e ser empreendedoras, a Vulcabras Azaleia criou uma plataforma de negócios focada nos preparadores físicos, personal trainers e outros profissionais desta área, permitindo que eles sejam vendedores dos calçados com um programa chamado Corre Junto, uma plataforma digital onde estes profissionais se inscrevem e podem ser vendedores, ganhando comissão. Isto oss transforma em empreendedores e dá uma oportunidade de renda que até então não existia. De acordo com Pedro Bartelle, é mais uma ação de contribuição da empresa para ajudar profissionais que podem estar ligados ás suas marcas, e mais uma forma de atuar no projeto de valorização do produto nacional. Dentro da própria plataforma, o Grupo criou um espaço para a formação destes vendedores, com informações sobre técnicas de vendas, e sobre os produtos, capacitando estes novos vendedores com capacitação para a venda técnica. Em menos de três meses a plataforma já tem mais de 5.000 inscritos, número que deverá ser superior a 10.000 pessoas até o final do ano.

Carlos Mestriner concorda com Bartelle quanto à aceleração da digitalização da vida empresarial: “Três meses representa três anos”. Afirmou que a Klin Calçados Infantis tem feito um trabalho muito intenso de digitalização, para preparar a empresa em um processo muito rápido. Destacou o trabalho que vem sendo feito junto à equipe de negociadores/representantes comerciais, para a adequação a um novo formato de trabalho, com material digitalizado e com capacitação para que os clientes da marca sejam atendidos com excelência através de canais digitais. Junto aos lojistas, a Klin está buscando ser um agente para que ele também consiga intensificar o uso destas tecnologias, e se mantenha próximo do consumidor final. Mestriner entende que estas novas formas de vender, de comprar, de negociar, vão ser mantidas, mesmo quando o mundo puder voltar a se relacionar como no passado. “Estamos diante e um novo cenário, de um novo consumidor, de uma nova economia, e nós temos que mudar nosso modelo mental”.

Sobre o que a indústria pode fazer para atender este novo consumidor, Pedro Bartelle mencionou a agilidade e flexibilidade do Grupo Vulcabras Azaleia “para entender e atender as necessidades de seus clientes e ajudar toda a cadeia para que a gente saia rápido desta situação”. No entendimento do empresário, deveria haver uma conscientização de todos em relação ao retorno da economia. Na opinião de Bartelle, “já houve tempo para a preparação de todas as instâncias da economia para que a gente possa ter um retorno do funcionamento da economia, com todas as seguranças, sem dúvida. Nós não podemos esperar muito mais, já causou um dano muito grande, já houve demissões no setor, que se desmobilizou muito, isto é muito ruim. OS danos já foram causados e nós não podemos deixar que eles aumentem”. Sugeriu que haja uma onda de todos retornarem com os negócios, se cuidando, se preparando, mas não dá mais para ficar parados.

Carlos Mestriner entende que “a adversidade maior já aconteceu; o estrago maior já aconteceu. Agora, está na hora de caminhar e acelerar este processo de retomar, de voltar ao normal”. Sugeriu que as entidades de classe se juntem para fazer a retomada. Também lembrou que há uma tendência de as vendas pelo digital continuarem crescendo, mas as lojas físicas continuarão sendo atrativo para os consumidores, que querem passear no shopping, que querem a experiência de calçar o calçado antes de comprar. Na sua opinião o consumidor vai voltar à normalidade de passar na loja, experimentar os calçados.

Sobre a integração digital, Mestriner salienta que não é uma relação da indústria com o consumidor, mas uma interação entre as lojas e o consumidor, entre as marcas e o consumidor, um processo que chegou para ficar, e é esta consciência que todos precisamos ter”.

Sobre a parceria de Vulcabras Azaleia com os laboratórios do IBTeC para o desenvolvimento de tecnologias para seus produtos, Bartelle afirmou que “é sempre muito bom a gente poder contar com o IBTeC, e o Instituto tem que também se sentir responsável por tudo o que a gente vem construindo no Brasil, com a marca Olympikus”. Lembrou que só existem três marcas de esportivos que são líderes em seus países de origem - um dos Estados Unidos, uma na Alemanha e a Olympikus aqui no Brasil. Relatou que o grupo investe muito em inovação de produtos e modernização do parque fabril, mais de 100 milhões de reais nos últimos anos. Lembrou o propósito da marca, que é a democratização do esporte e acesso de calçados esportivos para a população.

Carlos Mestriner lembrou que a parceria com o IBTeC vem de longa data, e elogiou o trabalho que o instituto vem fazendo em benefício da indústria calçadista de forma geral. Enfatizou que proporcionar um calçado que promova o caminhar saudável sempre foi o propósito da Klin, com diferenciais que já fazem parte do DNA da marca. O trabalho cientifico a marca tem feito em parceria com os laboratórios do IBTeC, que tem um papel importante nesta jornada, que começa no propósito, no foco, e na clareza dos diferenciais que a empresa quer entregar para o seu consumidor.

Em termos de consumo, o Brasil ainda passa por um processo de conscientização da importância da sustentabilidade, quando em outros estão mais avançados, lembrou Mestriner.

Na área de responsabilidade social, o Grupo Vulcabras Azaleia produziu mais de 550.00 máscaras de NTN e de acrílico para distribuir às 32 cidades no entorno de onde estão as unidades da empresa. Lembrou ainda que o setor calçadista, por ser uma indústria que precisa de muita gente para fazer acontecer, gera muitos empregos, o que por si já é uma atividade de responsabilidade social. Hoje o Brasil é o quarto maior fabricante de calçados do mundo. “Nosso negócio é feito de pessoas”. E como é moda, não é um setor que vive de commoditie. O que a Vulcabras Azaleia fez e continua fazendo é fazer o máximo possível para manter todo o efetivo, e ajudar as cidades que estão perto das unidades produtivas da empresa. Também elencou o Programa Corre Junto como uma das ações de responsabilidade social da empresa. O Grupo está cada vez mais focado na sustentabilidade, aumentando a participação de energias limpas em todas as suas operações - projeção é de que em dois anos toda a energia usada seja de origem limpa.

Já a Klin Calçados Infantis exerce um papel dentro das comunidades onde estão suas unidades fabris, procurando trabalhar de forma integrada com as comunidades, com ações locais, regionais e nacionais, o que já faz parte do DNA da empresa. Neste momento, a empresa está focada na manutenção dos empregos de gera, mesmo com toda a adversidade que a economia está vivendo.

Para finalizar, Pedro Bartelle invocou a necessidade de proteção da indústria brasileira, especialmente em relação à indústria asiática, o único continente que vende seus produtos no Brasil. No entendimento do empresário, a indústria nacional tem à sua disposição todos os recursos para fazer os melhores produtos, e tem os melhores produtos. E entende muito do mercado. O que peço é o prestigio para a indústria nacional, que emprega muito, para que a gente mova as engrenagens deste negócio, e que o dinheiro possa circular dentro do nosso país, para que a gente possa se ajudar a retomar. A crise veio em um momento inesperado, é grande, difícil, mas tem fim. E quanto antes nós nos ajudarmos, mais rápido sairemos disto.

A próxima edição do Happy Hour com Tecnologia já tem data marcada- 12 de agosto, a partir das 18h, com o tema Feiras de Negócios - o que mudou, o que vai mudar e o que não mudará. Já confirmados como painelistas Francisco Santos, diretor presidente da Couromoda; Marcio Jung, presidente da Fenac, Frederico Pletsch, presidente da Merkator, e Abdala Jamil Abdala, presidente da Francal.