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Nanotecnologia deverá trazer inovação e benefícios para usuários de calçados

Nanotecnologia deverá trazer inovação e benefícios para usuários de calçados 16 MAIO

Com o auditório lotado, o IBTeC realizou na noite de quarta-feira, 15 de maio, mais uma edição do Happy Hour com Tecnologia. O vice-presidente executivo da instituição, Dr. Valdir Soldi, e o pós-doutor em microbiologia, Markus Wilimzig, coordenador do Laboratório de Microbiologia da entidade, falaram sobre “Nanotecnologia – como o setor calçadista pode se beneficiar”.

O professor Soldi abriu o encontro, falando sobre a origem  da nanotecnologia, em 1959, quando o Físico Richard Feynman declarou acreditar que um dia a miniaturização seria uma realidade.

“Mas foi somente a partir de 1986 que Eric Drexler realmente colocou a ideia da nanotecnologia no mapa. Ele imaginou um futuro de nanorrobôs auto replicantes: máquinas que construiriam outras máquinas”, contou o professor Soldi. Além disso, o autor cogitou um mundo no qual uma infinidade de dados e informações poderiam se encaixar em um chip do tamanho de um cristal de açúcar.

Um setor que já se beneficia da nanotecnologia, e que deverá ver esta tendência se tornar cada vez mais real é o da medicina. O professor Soldi chamou a atenção para questões como o tratamento do câncer, que evoluindo da “ficção” para a “realidade”, se utilizará de nanorrobôs e nanomáquinas injetáveis que poderão acessar nossa corrente sanguínea para identificar e destruir células doentes com mais precisão e eficácia. Ainda nesta área, nanorrobôs serão capazes de monitorar nossa saúde, nos informando sempre que algo estiver errado.

Na área ambiental, esponjas oceânicas de nanotubos de carbono serão capazes de absorver contaminantes da água, como fertilizantes, pesticidas e produtos farmacêuticos, com muito mais eficiência do que as atuais tecnologias, devolvendo sua pureza para o uso humano.

A nanotecnologia já produz os chamados metamateriais, que são materiais superfortes e ultra resistentes, que na prática são modificados para adquirir propriedades que não existem na forma natural, como exemplo, o grafeno.

A Nanotecnologia poderá beneficiar o setor calçadista com o desenvolvimento de materiais antiderrapantes e com maior aderência para solados, aditivos antibacterianos e antifúngicos eficientes para usar em palmilhas, forros e outros componentes, solucionando o problemas como o mau cheiro provocado pelo uso de calçados fechados, materiais que ofereçam conforto térmico, favorecendo a respirabilidade e que controlem a temperatura e a umidade do pé do usuário.

A nanotecnologia deverá produzir ainda polímeros com memória, que mudam sua forma com a temperatura, materiais inteligentes que mudam de cor quando submetidas a estímulos externos, como incidência de luz, temperatura e pressão. Também está no espectro dos pesquisadores, para o futuro, o desenvolvimento de microcápsulas contendo substâncias ativas para funcionalidade específica, e aditivos e novos polímeros capazes de se regenerar, adiantou o palestrante.

O professor Soldi apresentou informações sobre o desenvolvimento de calçados esportivos com a adição de grafeno nos solados a base de borracha, promovendo aderência em todas as superfícies com a mesma eficácia, aumento da durabilidade do solado em mais de 50%, e ainda tornando os calçados mais leves e com maior elasticidade. Em outro projeto, ensaios de laboratório comprovaram que o uso do grafeno em calçados promove maior conforto térmico ao usuário.

Neste projeto, flocos compostos por várias camadas de grafeno são adicionados ao poliuretano utilizado no solado. Os ensaios de laboratório mostraram que há dispersão de calor 50% maior do que o solado com somente PU, maior impermeabilidade e propriedades antibacterianas.

O professor Soldi mostrou o que já é realidade no setor calçadista, particularmente no esportivo. Uma das inovações é a Tecnologia Flexweave, com o cabedal feito de nanofios de Kevlar com alta flexibilidade e adaptação ao formato do pé do usuário. Além de conforto e estabilidade, o material proporciona respirabilidade ao calçado.

Outro exemplo apresentado foi a tecnologia Flyknit, inovação no design e fabricação do calçado que traz a estrutura e forma diretamente na trama do sapato, criando um produto com baixa produção de resíduos e mais rápido para produzir.

 

NANOTECNOLOGIA E A SOLUÇÃO DO MAU CHEIRO

Na segunda parte da palestra, Markus Wilimzig falou sobre a busca de alternativas para o problema da ocorrência de mau cheiro nos calçados, devido ao crescimento de bactérias favorecido pela umidade (suor) e temperatura elevada.

A solução, segundo o coordenador do Laboratório de Microbiologia do IBTeC, seria o tratamento dos materiais dos componentes dos calçados, como palmilhas e forros, por exemplo, com produtos eficazes para as bactérias que efetivamente causam o mau cheiro. Ele acredita que a Nanotecnologia deverá trazer a solução para esta que é uma questão recorrente no setor, mas que não é abordada de forma efetiva pelos envolvidos no processo.

De acordo com Markus, avaliações feitas no laboratório do IBTeC mostraram que de 90 amostras tratadas com aditivo antibacteriano, somente 40% foram eficazes contra bactérias causadoras do mau cheiro. A eficácia depende de fatores como concentração dos reagentes, tipo de aplicação do aditivo realizada e características do material utilizado.