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Ânimos renovados na Zero Grau

Ânimos renovados na Zero Grau 21 NOVEMBRO

A feira está maior, mais diversificada e engajada com as mudanças do mercado

O segundo dia da feira Zero Grau, que se encerra amanhã (22), em Gramado/RS, iniciou com um debate, realizado pelo Grupo Sinos e mediado pela editora-chefe do Jornal Exclusivo, Roberta Pschichholz. Na pauta, a oferta de calçados para nichos específicos - dentre eles os públicos de idosos, pessoas com problemas como diabetes e joanetes, transgêneros e consumidores que calçam numerações acima do normalmente oferecido nas grades tradicionais.

O diretor da mostra, Frederico Pletsch, comentou que a pluralidade é um assunto cada vez mais atual no segmento e os fabricantes estão aos poucos investindo nessa tendência, porém, para que a oferta chegue ao ponto de venda, o lojista tem que se sensibilizar ao tema e comprar essa ideia. Roberta Pletsch, também diretora da feira, contou sua experiência pessoal.

Por ser alta e, no passado, também ter sobrepeso, sofria duplamente com a falta de oferta de calçados adequados para os seus pés. Para não usar modelos masculinos - que ofereciam um melhor calce, porém tinham um visual que não combinavam consigo - adquiria calçados menores que lhe apertavam os pés. Essa prática nada aconselhável acabou por causar danos que perduram até hoje. ”Foi um verdadeiro sacrifício realizado por falta de opções para as minhas necessidades particulares. Hoje, felizmente, a oferta é maior e as mulheres já não precisam tomar esse tipo de atitude. Os fabricantes investem cada vez mais no aumento das numerações em suas grades, mas precisam ser ainda mais ecléticos, pensando também nas diversidades de gênero, por exemplo. E o lojista tem que passar a acreditar mais no poder de compra destes públicos que não são pequenos”, enfatizou.

Augusto Sérgio, da Variettá Calçados, contou que 80% das coleções ofertadas pelo seu negócio vão até o 43, mas em uma delas é oferecido também o número 44 - e com salto alto. Essa prática, segundo ele, tem uma aceitação muito grande no mercado. “Quando a cliente encontra produtos em tamanhos especiais com a qualidade e o visual atualizado, acaba contando para as amigas que, assim como ela, têm dificuldades para encontrar calçados de moda com numeração adequada ao seu pé, e isso se torna uma corrente de informação”, considerou. Ele lamentou o fato de nas lojas físicas a oferta de números maiores ainda ser uma raridade. “Nós temos que forçar um pouco mais para aumentar a numeração disponível no ponto de venda, e com uma variedade também nas alturas dos saltos. “A mulher alta também quer usar salto e se sentir linda; e tem ainda o público trans, que está crescendo e precisa ter ao dispor produtos que lhe agrade e atenda as suas necessidades”, contextualizou.

O estilista da Usaflex, Eduardo Muller, lembrou que a essência da marca é atender com conforto mulheres com idade mais avançada, porém o comportamento de consumo desse público tem mudado nos últimos anos, passando a exigir mais apelo de moda nos produtos. “Além dos cuidados imprescindíveis às pessoas idosas, também nos preocupamos em atender a outras necessidades dos usuários que precisam de atributos especiais nos calçados, como portadores de diabetes e com joanetes ou esporão”, garante o profissional. Ele informou que para isso a marca usa materiais diferenciados, como neoprene, além de componentes com propriedades comprovadas de conforto, garantindo a funcionalidade sem descuidar do visual dos produtos. Além disso, em algumas linhas, a numeração vai até o 43, e este é um grande diferencial que abre o leque de clientes para a marca. “O custo é grande e por isso ainda não aplicamos em todas as linhas, embora esta seja uma solicitação do mercado”, pontuou. Ele ainda comentou que não adianta só aumentar o comprimento da fôrma, também é necessário oferecer diferentes larguras. “Mas para esta oferta acontecer em larga escala o lojista tem que abrir a mente, sair do básico e aumentar as opções ofertadas ao seu cliente, saindo do básico na vitrina”, concluiu.

O presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC), Paulo Griebeler, foi provocado a falar sobre a questão do meio ponto. “Para o consumidor essa pode ser uma excelente alternativa, o problema é que aumenta a grade e isso encarece a produção”, explicou o executivo. Ele comentou que o mundo está passando por uma revolução digital, e com isso o consumidor está mais bem informado e exigente. “A população está envelhecendo e quer produtos com mais qualidade e sustentabilidade, que proporcionem melhor qualidade de vida. Por outro lado, o jovem também não se satisfaz com o básico e busca tecnologia e inovação, também com responsabilidade socioambiental.O IBTeC trabalha a tecnologia do conforto e sustentabilidade para atender a essas demandas. Todos temos que nos adaptar às necessidades do público, gostaríamos também de aplicar o meio ponto, mas no Brasil o tema é um paradigma” salientou.

A gerente de vendas do Grupo Italianinho, Vera Carina da Silva, disse que a empresa começou produzindo calçados masculinos, mas com o passar do tempo também entrou no nicho de mercado feminino. “A ideia é sempre oferecer conforto em todos os produtos e isso também passa pela questão da numeração. Tem meninas com 15 ou 16 anos que calçam 41, e temos que disponibilizar nossos produtos também a elas”, enfatizou. Outro cuidado é com o uso de materiais que possam facilitar o uso dos calçados por pessoas com problemas nos pés, como esporões, joanetes ou que tenham pés diabéticos. Para atender a diversidade são usados materiais diferenciados em todas as linhas da coleção, ao longo de toda a grade. Ela lembrou que as pessoas da terceira idade também querem produtos descolados. “Nós, daqui há pouco, também estaremos na terceira idade então é bom pensar sobre o tipo de produtos que vamos querer comprar”, sugeriu.

A drag queen Verônica Weiss argumentou que a primeira preocupação é com relação à grade, e só depois de garantir que encontrou um calçado adequado para o tamanho do seu pé é que considera os apelos de moda e conforto oferecidos pela marca.

“A falta de opções por diferentes larguras numa mesma numeração é um grande problema para o público trans, pois o pé masculino é diferente do feminino e este ajuste não é fácil de ser encontrado nos modelos tradicionais oferecidos no mercado, mesmo quando encontro o número correspondente. Muitas vezes preciso abrir mão do conforto quando quero um produto com mais apelo de moda”, lamentou.

A diversidade desfila com elegância

No primeiro dia da feira, o encerramento foi com um desfile de moda onde o pluriverso foi a tônica. Na passarela, com muita elegância e atitude, modelos e personalidades representaram pessoas de diversas idades, gêneros e raças. Para finalizar, um poket show com o ator Silvério Pereira.

Feira cresce a cada edição

Com 285 expositores, 900 marcas, e a previsão de 10 mil visitas profissionais, a feira realiza a sua maior edição da sua história. Durante a coletiva de imprensa realizada ontem à tarde, o diretor da feira, Frederico Pletsch comemorou a retomada dos negócios e a união do setor. A feira, de acordo com o realizador, cresceu 11% em metros quadrados comercializados num comparativo com a realizada em 2016.