Notícias

4º Forum IBTeC de Inovação provocou indústria calçadista: “Faça a diferença”

4º Forum IBTeC de Inovação provocou indústria calçadista: “Faça a diferença” 27 SETEMBRO

“Faça a diferença” foi o tema do 4º Forum IBTeC de Inovação, realização do IBTeC e Sebrae, como uma das atividades da Semana do Calçado 2018. Com uma plateia extremamente qualificada, o evento iniciou com a premiação dos vencedores da maratona tecnológica IBTeCDAY.

A premiação máxima - passagens aéreas para o Vale do Silício - foi entregue a Natália Ramona Forte, William Rai da Luz e Vinicius Vellar, que apresentaram solução para o desafio que pedia uma proposta para alavancar as compras on-line de calçados, atendendo de forma personificada, aproximando a indústria ao consumidor. O segundo colocado foi para o projeto de André da Rocha que atentendeu o desafio de calçados funcionais e recebeu passagem aérea e inscrição para o Campus Party, evento anual da área de TI, realizado em São Paulo.

O presidente executivo do IBTeC, Paulo Griebeler, abriu o Fórum, falando da importância da união das entidades em uma semana para pensar o futuro do setor. A secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado, Susana Kakuta, lembrou que “o Rio Grande do Sul está passando por um momento de reinvenção, como o resto do Brasil”, e lembrou que o Estado precisa se preparar para enfrentar a mudança do perfil demográfico do país, que em 20 anos enfrentará o crescimento exponencial do número de trabalhadores inativos, ao mesmo tempo que a taxa de natalidade deverá continuar caindo. “Daqui a 20 anos, teremos que  produzir muito mais com muito menos gente, o que só será possível com agregação de valor ao que produzirmos, o que está diretamente ligado à inovação tecnológica”.

 

GESTÃO INFORMATIZADA DA INDÚSTRIA

O gerente comercial da Operacional Solution, Márcio Belli, fez a primeira palestra da noite, sobre “Gestão informatizada da manufatura e a indústria 4.0”. Ele lembrou que o conceito de indústria 4.0 surgiu na Alemanha em 2011, e só foi apresentado ao mundo em 2012. A denominação conceitua a manufatura inteligente e fábricas com alto grau de automação e com integração de todos os processos. De acordo com o palestrante, “máquinas, pessoas e sistemas se comunicam ao longo das operações industriais, com o objetivo de aumentar a produtividade”. Cada vez mais, pessoas, robôs, máquinas e sistemas precisam estar conectados no processo industrial, para garantir a competitividade das indústrias.

O palestrante chamou a atenção para o fato de que “indústria 4.0 não é fazer mais da mesma forma; é fazer mais, melhor e de forma diferente”. No Brasil, o gargalo que as empresas enfrentarão diz respeito à capacitação da mão-de-obra, pelas deficiências da nossa educação. Márcio Belli alerta para o fato de “as empresas vão ter que fazer o papel de preparar as pessoas para trabalhar com esta evolução”.

 

PAINEL EXCLUSIVO DEBATES

O diretor de gestão comercial da BR Supply Suprimentos Corporativos, Eliandro Arena, abriu o Painel Exclusivo Debates, coordenado pela jornalista Mary Silva, com o tema “Suprimentos indiretos também são estratégicos”. De acordo com Eliandro, o potencial para vendas corporativas por e-commerce no Brasil é de R$ 20 bilhões, mas ainda há muito o que percorrer neste setor. Ele apresentou o case da BR Supply, que criou uma solução que desonera as empresas na compra de suprimentos para o seu dia a dia. A empresa assume a gestão das compras de seus clientes, garantindo economia e agilidade. Hoje a BR Supply atua em todo o Brasil, atendendo 3.000 cidades com 400 colaboradores, com dois Centros de Distribuição – um em São Leopoldo/ RS e outro em São Bernardo do Campo/SP. O faturamento da empresa é de R$ 450 milhões anuais.

O gerente de operações de design da Grendene S/A, Leonardo Schnorr, falou  na palestra “Design e inovação, uma abordagem para SERvir”, sobre a valorização das pessoas no processo de criação. O desafio de quem trabalha com design, segundo Schnorr, é criar pensando nos benefícios para quem vai usar o produto, sem esquecer das pessoas que fazem parte das empresas. O palestrante fez uma provocação à plateia, perguntando se “inovações nas relações entre as pessoas não seria a indústria 5.0?”

Os ciclos de criação estão cada vez menores, a necessidade de empresas que trabalham com moda de fazer algo diferente é cada vez mais presente, e estamos em uma economia que exige resultados. Estes desafios estão no cotidiano das pessoas, e precisam ser compartilhados com toda a equipe. No entendimento de Schnorr, os projetos precisam ser coletivos dentro das empresas, para haver mais engajamento de todos.

O co-fundador da HubSales, Guilherme Artiles, abordou o tema “A revolução digital e o modelo de negócios marketplace: para onde vamos?”Ele abriu sua fala apresentando informações sobre a realidade das vendas on line em 2018. No primeiro semestre deste ano, 10% das pessoas que fizeram compras pela internet foram retirar em uma loja física, “o que demonstra que o varejo continuará sendo importante”. Ainda de acordo com os dados apresentados por Artiles, no primeiro semestre deste ano foram feitas 27,4 milhões de compras pela internet. As classes C, D e E responderam por 82% das vendas realizadas pela internet no primeiro semestre deste ano. A região Sul do Brasil é a que mais cresceu neste segmento, com 24% de incremento sobre o volume realizado no primeiro semestre de 2017. As vendas on line movimentaram R$ 23 bilhões no primeiro semestre deste ano em todo o Brasil, e a projeção é de que alcancem R$ 54 bilhões até o final do ano.

Guilherme Artiles afirma que “há uma tendência mundial de mudança na organização das vendas on line, que vai afetar o relacionamento das indústrias com este sistema. Em três anos, as vendas deverão estar concentradas em um canal digital, mas as entregas aos consumidores serão feitas pela indústria. Esta é uma tendência mundial que já é realidade em algumas empresas brasileiras. Para a indústria, “a vantagem é que o pagamento será feito diretamente do consumidor para ela. A logística é que deverá mudar, porque a responsabilidade pela entrega passará a ser do fabricante”.

 

COMO SERÁ O AMANHÃ?

“As empresas não podem querer resultados diferentes traçando os mesmos caminhos. Muitas empresas passam por dificuldades porque não mudam a forma de fazer”. Esta é uma das afirmações com que Marcelo de Elias abriu sua palestra “Inovação e a transformação digital: como será o amanhã?”, no Fórum IBTeC de Inovação. Criador da Universidade da Mudança, o administrador de empresas e um dos maiores especialistas em gestão de mudanças e inovação do país, apresentou um panorama do futuro que já alcançou  empresas de todos os segmentos.

Sobre as resistências às mudanças, o palestrante salientou que “a gente precisa se reinventar e ter em mente que hoje a capacidade de se adaptar e inovar é mais importante que a experiência”. Para isto, é preciso ter uma competência importante: a de aprender o novo e deixar para trás o velho.

Para finalizar, a mensagem de Elias: “No passado, inovação era uma vantagem competitiva, e agora é uma necessidade competitiva”. De acordo com o palestrante, “inovação vai ser o novo jeito de fazer. Para isto, é preciso que as pessoas se coloquem como concorrentes de si mesmas – focadas em se superar sempre”.