No mês de novembro o IBTeC deu início à campanha "Conforto agora é Moda" – através da veiculação de pontos de outdoors distribuídos nos principais pólos calçadistas do Rio Grande do Sul.
Nossa intenção é expandir essa campanha nacionalmente - destacando a importância do CONFORTO para a saúde e qualidade de vida do consumidor, além de ressaltar os aspectos de diferenciação e agregação de valor que calçados com esses atributos podem apresentar.
CONTEXTUALIZANDO...
O Brasil é pioneiro na criação de normas técnicas para quantificar o conforto oferecido por um calçado e da metodologia para fazer esta medição. Os testes são realizados em ambiente preparado, obedecendo a normas técnicas publicadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), conforme estudos realizados pelo Comitê Brasileiro do Couro, Calçados, e Artefatos de Couro (CB-11).
Para se chegar à criação das normas foi realizado um longo estudo, com a participação de todas as partes envolvidas - desde a cadeia de fornecedores, as indústrias fabricantes, os canais de distribuição e até mesmo o consumidor final.
Primeiramente o comitê estabeleceu uma ampla discussão sobre o que é um calçado desconfortável (aquele muito pesado, que esquenta o pé, provoca lesões, não oferece estabilidade ao caminhar, faz o pé suar etc.).
A partir deste entendimento, se começou a pensar sobre quais atributos seriam, então, necessários para atestar que determinado calçado oferece de fato conforto para o usuário, e este questionamento levou à criação do conceito que define o calçado confortável.
Porém, para se chegar à conclusão sobre um calçado atender ou não plenamente a estes requisitos, foi necessário que se criassem normas técnicas, definindo quais os testes necessários, como seriam realizados os ensaios, quais os valores máximos e mínimos aceitáveis nas medições, bem como os índices de temperatura e umidade do ambiente onde as medições aconteceriam. E uma série de outras medidas como auditoria externa por órgãos reconhecidos, que validam o trabalho científico, oferecendo toda a segurança com relação à seriedade e exatidão dos resultados nos laudos emitidos sobre as amostras analisadas. Inicialmente, as normas que determinam o conforto no calçado eram relacionadas somente ao produto acabado, mas posteriormente sentiu-se a necessidade de avaliar também os componentes isoladamente, pois eles influenciam de forma significativa na performance do calçado.
Um calçado é confortável quando:
- permite à pessoa se concentrar na sua performance;
- oferece um bom calce sem pressões excessivas sobre os pés
- é leve e flexível para economizar energia e poupar a musculatura;
- transpira e mantém os pés secos e levemente aquecidos;
- evita a pronação excessiva do calcâneo na fase do impacto do calçado com a superfície de apoio, protegendo de lesões a articulação do joelho;
- oferece tração suficiente prevenindo contra escorregamento e queda, permitindo um pisar com segurança e estabilidade;
- oferece amortecimento na fase de impacto do calçado com as superfícies de apoio, minimizando as vibrações transmitidas para o corpo, protegendo as estruturas músculo-esqueléticas;
- promove a satisfação do usuário.
28 normas já foram publicadas
Hoje, existem publicadas sete normas para os testes biomecânicos que avaliam o calçado (Ensaio completo conforto; Massa do calçado; Distribuição de pressão plantar; Temperatura interna do calçado; Índice de amortecimento do calçado; Índice de pronação do calçado; Percepção de calce). Somam-se a estas, mais 21 normas para a avaliação de componentes, e que estão relacionadas a solados, palmilhas e forros. Além de ensaios mecânicos para a caracterização, os componentes são analisados quanto às substâncias usadas na sua fabricação. A intensão neste caso é detectar se existe na composição alguma substância restrita e, caso apareça, se a mesma está dentro dos níveis aceitáveis, de acordo com as mais importantes legislações internacionais. A preocupação é garantir que, além das propriedades mecânicas que asseguram o conforto, o componente não representa risco à saúde do usuário.
Uma das vantagens é que as empresas que querem desenvolver calçados confortáveis podem adquirir componentes certificados, o que facilita o desenvolvimento de produtos com tal atributo.
Selo Conforto
Todo este trabalho é discutido em reuniões periódicas que ocorrem na secretaria do CB-11, que funciona na sede do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC), em Novo Hamburgo/RS. O instituto também realiza todos os testes necessários e criou o Selo Conforto, concedido unicamente aos modelos de calçados e componentes aprovados em todos os quesitos que determinam o nível de conforto proporcionado.
É importante observar que quem recebe o Selo Conforto é sempre o produto testado e nunca a marca. O selo, inclusive, tem prazo de validade de um ano. Após este período, só mantém a certificação a empresa que submete o modelo certificado a novos testes, e a performance é novamente comprovada durante os ensaios. O coordenador do Laboratório de Biomecânica do IBTeC, Prof. Dr. Aluisio Avila, salienta que mais de 50 empresas já possuem o direito ao uso do Selo Conforto. "As empresas devem ter a responsabilidade de construir os calçados e componentes que serão oferecidos no mercado com as mesmas propriedades e características daqueles modelos que foram testados", explica.
O IBTeC mantém permanentemente convênios de cooperação tecnológica e científica com universidades brasileiras e também do exterior, o que possibilita o alinhamento das suas pesquisas com as mais importantes demandas do mercado em nível global, tornando-se um centro de referência no desenvolvimento e implantação de soluções de tecnologia e inovação, capazes de aumentar a competitividade internacional e o desenvolvimento sustentável da indústria brasileira, especialmente do sistema coureiro-calçadista.